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O Futuro não é mais como era antigamente...

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

Essa semana eu fiquei assistindo alguns clipes da minha época de adolescência, lá nos idos da década de 90. E algo que me chamou a atenção foi a preocupação com o futuro e a busca por uma estética futurista. Ao buscar mais sobre essa estética e o motivo dela aparecer tanto nesses clipes, acabei por me deparar com uma série de produções que eu até conhecia, mas que nunca tinha parado para refletir na sua espinha dorsal - a imaginação/reinvenção/reflexão sobre o futuro. E ao assisti-los (comparativamente) observei muitos pontos em comum.

Parece bobeira. Quando vemos uma tentativa de estetizar esse "futuro" feito por nós, vejo ambientes claros (bem brancos), com todo tipo de equipamento touch e formas geométricas suavizadas. São visões em sua maioria caricatas e que (hoje) sabemos se tratar de uma idealização. 

Cada momento histórico e cada sociedade cria uma visão diferente do modo como enxerga seu futuro (as vezes bem próxima). E se hoje para nós é um caricatura, nos anos anteriores era uma interrogação. Por desconhecerem os avanços de que o homem seria capaz, a imaginação estava a solta para idealizar o futuro. Na construção desse futuro, alguns elementos se repetem. As cores (branco, azul, cinza, preto), a presença de metais, as formas geométricas, a presença de robôs, painés touch, a velocidade e equipamentos eletrônicos.

E  por que o futuro como tema? Bom, o mundo vivia um momento onde não se sabia o que seria o futuro no mundo. Com o fim da Segunda Guerra Mundial (1939-1945) e especialmente a partir da década de 1960, o mundo mergulhou na Guerra Fria. Período caracterizado pela competição entre as duas grandes potências mundiais do período - de um lado os EUA, capitalistas e, do outro lado, a URSS, socialista. Modelos antagônicos, que não se chocaram abertamente e de forma bélica, mas que largaram numa corrida tecnológica aonde quem conseguia criar/"dominar" o futuro, seria quem venceria num possível confronto entre as nações.

Por haver um conflito aberto e declarado entre os países, tudo foi posto a serviço da "propaganda de desenvolvimento". Da indústria espacial, passando aos filmes, música e literatura. A pergunta que imperava era: como será o futuro? A que desenvolvimento chegaremos?

Uma das mais emblemáticas  produções sobre o futuro (no passado, rs) ficou por conta do Filme 2001: Uma Odisséia no Espaço, de Stanley Kubrick, 1968. Formas, brancura, automatismo.


Lá nos idos da década de 70 e 80,  imaginávamos um futuro metálico, maquinário, azul, cinza e frio. Limpeza, minimalismo e modernidade.

Na literatura, George Orwell, com sua obra máxima 1984, antecipa uma sociedade com um futuro controlado, vítima de tortura e corrupção. No enredo que tem Londres como cenário (na fictícia Oceânia) -, tudo gira em torno do Grande Irmão (sim, o Big Brother é o líder máximo - qualquer semelhança com o realityshow não é mera coincidência) que assumiu o poder depois de uma guerra de escala global, que eliminou as nações e criou três grandes estados transcontinentais totalitários. É um mundo sombrio e opressivo onde imperam cartazes com o slogan: "O Grande Irmão está de olho em você". E está mesmo, graças às "teletelas". Espalhadas nos lugares públicos e nos recantos mais íntimos dos lares, elas são uma espécie de televisor capaz de monitorar, gravar e espionar a população, como um espelho duplo. Nesse cenário de submissão onde há inúmeras regras de convivência, ninguém nunca viu o Grande Irmão em pessoa. O livro fala sobre liberdade, ao combater um regime opressor.

Em 1988 é lançado Akira um animê japonês de 1988, do gênero ficção científica de Katsuhiro Ôtomo, baseado em um mangá de sua autoria. Foi a primeira animação japonesa a ser exibida em cinemas brasileiros que conta a história de Kaneda no ano de 2019, na chamada de Neo-Tokyo (pois a original teria sido destruída na terceira guerra mundial! Ui!). Após passar por alguns percalços, Tetsuo acaba por ser vítima de experiências que objetivam desenvolver poderes paranormais nele. Como resultado acaba enlouquecendo mas, com poderes que o igualam ao lendário akira reavivando o medo de uma nova destruição. Ou seja, para os japoneses (como veremos mais a frente ainda nesse post), o futuro é negro, sombrio e cheio de violência. Dominam no filme equipamentos tecnológicos, velocidade, urbanidade.


Essa estética vai influenciar uma das bandas mais emblemáticas e que passou a usar sons eletrônicos em suas composições - Kraftwerk.


(O vídeo é recente, mas a estética é a mesma!)

O som que se assemelha muito aos áudios de video-game (e não é a toa que os games como Sonic e Mario possuíam esse som eletrônico gostosinho) buscava refletir e talvez antecipar os novos (e desconhecidos) tempos. Um mundo onde a máquina se aliaria ou se sobreporia ao homem. Um mundo automático, rápido, mecânico.

Na medida em que os anos foram passando, acentuou-se cada vez mais essa visão de um futuro interligado e rápido. Os filmes e clipes internacionais sinalizavam isso.

(O Rei do Pop em Scream - Esse é de1995... Naves, brancura equipamentos de última geração, gravidade...)

Ainda em 1995, temos o lançamento do Mangá/Animê Neon Genesis Evangelion que trata do futuro de uma forma sombria. A história de Hideaki Anno e Yoshiyuki Sadamoto se passa de 2014 em diante e olha como a consepção de como seria esse momento no mundo estava TOTALMENTE diferente do que de fato vivemos hoje. O futuro, na história, é tecnológico, porém sombrio e desolador.


Olha essa seleção de clipes de nossos famosos ídolos da década de 90... (alguns breguíssimos! rs):

(J-Lo e sua interatividade antecipando os voyeurismo de plantão da internet)

(Spice Girls e uma máquina muito louca voadora. Cinza, velocidade e sensualidade)

(N'sync - o clipe não chega a ser futurista, mas reparem no pano metálica atrás dos meninos e nos flashes. O mesmo se aplica ao clipe abaixo, com um tubo azulado, flashs e efeitos...)


O clipe da boyband Backstreet Boys Larger Than Life fez muito sucesso pelo seu apelo futurista. Uma visão colorida, mas avançadíssima do "futuro".


Na porta dos famigerados "anos 2000" diversos artistas buscaram uma estética e uma linguagem que mostrasse um futuro hi-tech, com internet bizarramente rápida e conexão integral de todos com tudo. Na boquinha dos anos 2000 (1999), a linda  Björk lança seu clipe All is full of Love. Mais futurista IMPOSSÍVEL.


Ainda em 1999, Matrix anuncia um futuro filosófico e hi-tech. Máquinas, internet, muito verde e couro. O futuro é sombrio pois ninguém (só os escolhidos) sabem viver fora da Matrix.


E na Moda? Bom, diversos estilistas trabalharam o tema do "futuro" na moda. Na verdade, eu creio numa mútua influência das mídias, da produção artística e do contexto histórico que o mundo vivia. Tudo isso, somado, se influenciava mutuamente. E com a Moda não seria diferente.

Nas décadas de 1950 e 1960, Pierre Cardin, Paco Rabanne e Courrèges foram os estilistas que trabalharam esse tema em suas coleções. Veja as produções de Cardin abaixo:





Já Paco Rabane começou suas criações inovando com materiais. Desde o seu primeiro projeto em 1962 era muito futurista porque inovou com materiais nunca antes utilizados como metais, plásticos e vinil. 




André Courrèges trabalhou com cores primárias, listras, jaquetas de vinil e botas de plástico. 





Após dos anos 2000, a visão do futuro mudou um pouco. Mas ainda estão presentes o azul, a velocidade, a tecnologia. O estilista Alexander McQueen fez um desfile onde o futurismo respirou essa nova releitura, com composições que não abandonaram o ar psicodélico que impera no futurismo, mas que demonstram uma novo imaginário. 





Lady Gaga usou o look futurista de McQueen no seu clipe Bad Romance. Reparem a visão de futuro aqui apresentada: o clipe é de 2009. Nada de azul. O clipe é maciçamente branco e minimalista. Porém, alguns elementos antigos ainda se apresentam, como as roupas justas ao corpo, vinil e tecnologia.


Atualmente, o futurismo tornou-se sinônimo de ousadia e experimentação. Grandes marcas como Mugler, Burberry, Kenzo entre  outras aliaram suas coleções à inspiração futurista, garantindo peças com um design diferenciado, mas identificável: metalizados, texturas, desconstrução e tecidos sintéticos.

Mugler, Kenzo e Burberry 2013 outono/inverno
Eudon Choi  Primavera/Verão 2013
Eudon Choi  Primavera/Verão 2013
Burberry
Burberry

Qual será a leitura do futuro para frente? Não sabemos. Mas provavelmente será uma releitura de todos esses elementos aqui apresentados. Uma nova apropriação. Lembrando que essa idealização sempre está diretamente relacionada ao momento histórico e a sociedade que o produzir.

Fica a dica! =)

Li e Amei: "Moda Intuitiva", por Cris Guerra

segunda-feira, 29 de julho de 2013

Minha última aquisição em livros de moda foi esse que vos apresento: Moda Intuitiva. O livro, escrito pela super famosa blogueira Cris Guerra do blog Hoje Vou Assim, nos mostra como a moda é muito mais do que seguir regras pré-estabelecidas de como usar, o que usar e quando usar. Dentro da pergunta que ela lança logo e cara: Já parou para pensar que você é seu próprio estilista?

Cris, com sua notável sensibilidade e sua forma SUPER gostosa de escrever, nos conta sua caminhada rumo ao que ela chama de "Usar a moda para te servir", ou seja, não ser escrava da moda, não se vestir de forma igual a todos porque "está na moda", mas usar os recursos que a moda te oferece para descobrir (e porque não INVENTAR?) o seu estilo. Sim, estilo. E é essa palavra que guia toda a sua redação.

Para Cris, seria errado nos vestirmos sempre iguais e até evitarmos experimentar novas combinações, novas formas de usar da moda, porque não somos iguais a ninguém e nem somos os mesmos todos os dias. Desta forma, abrir o closet e olhar para suas roupas, sapatos e acessórios é, diariamente, se reconstruir. É fazer escolhas que contam sobre você (historicamente), sobre seu humor, sobre o que você vai fazer (trabalho, lazer...)... Ou seja, vestir-se é responder a uma série de perguntas anteriores ao ato de colocar uma calcinha! 

Mostrando que o tema vai muito além da pseudo-futilidade em que muitas vezes é tratado, Cris mostra como a Moda pode ajudar a sua estima melhorar, a você se conhecer melhor e até superar traumas (como foi com ela e a perda do marido).

Além de fazer uma breve (mas não menos deliciosa) história da moda com os principais itens de um guarda roupa, dando uma sugestão (não ordem) de você tê-los para tirar o máximo de proveito deles, ela ainda sugere outros exercício como fazer semanas temáticas, combinar determinadas cores, usar acessórios... Em fim, ela te incentiva a tirar o máximo do seu guarda-roupa, inclusive, orientando a se desapegar das peças que não tem mais sentido pra você (mas terão para alguém...).

Além disso, o livro é RECHEADO de looks da Cris. Vc sente como se estivesse com o Hoje Vou Assim na suas mãos. rs



Se eu pudesse dizer um ponto negativo do livro seria a repetição do conselho que ela dá sobre "Moda não é regra, é sentimento, intuição.". Ou seja, você não pode se vestir orientado por regras previamente estabelecidas. Vc pode até ouvir alguns conselhos, mas se desejar transgredi-los, ok. Do it! Ela afirma, todo o tempo, que moda é intuição, sentimento. Logo, nossas escolhas devem ser pautadas pela emoção, pelo que sentimos e não pela lógica. Como eu já sigo esses conselhos, para mim, ficou muito repetitivo. Mas eu entendi a intenção dela. Fiquei imaginando aquela fashion victim que usa tudo de acordo com os ditames das revistas, dos blogs, dos desfiles. Quando não entendem que Moda é escolha pessoal, íntima. Que devemos nos servir dela para fazermos nosso estilo e não pegar uma fórmula pronta e reproduzir. Então esse ponto que pra mim é negativo, nem é tanto. Depende do nível de entendimento que vc tem sobre o tema.

O livro também tem um preço convidativo: R$ 29,90. E pode ser adquirido nas principais livrarias. =)

Super recomendo. Comprei num aeroporto e devorei na ida e na volta dos meus vôos. 

Fica a dica! =)

Dicionário fashion

terça-feira, 30 de abril de 2013


ABRAVANAR: se libertar, se soltar. "vai lá e abravana" é uma das frases mais ouvidas ultimamente.

BABADO: é um jeito doce e "amigo" de dizer fofoca.

BOHO: abreviação de bohemian, que significa boêmio. É o famoso estilo hippie de butique, com muitas influências dos anos 1970.

BELOCO: cabelo. Uma das manias é dizer tudo de trás para frente, misturar e até trocar as sílabas. 

BRITNEY - é o mesmo que uma pessoa louca, descompensada, sem noção.

CONSTANZA: alguém que quer fazer parte do mundo da moda, mas exagera na dose e faz tudo errado - inclusive pronunciar o nome da consultora de moda, Constanza Pascolato, de maneira equivocada. 

DRESS CODE: código de vestir. Geralmente impresso nos convites, com a intenção de ajudar o convidado a se vestir e estar adequado em determinada situação.

FAST FASHION: Fast-fashion, traduzido como moda rápida, é o termo utilizado por marcas que possuem uma política de produção rápida e contínua de suas peças, trocando as coleções semanalmente, ou até diariamente, levando ao consumidor as últimas tendências da moda em tempo recorde e com preços acessíveis. O conceito foi criado na Europa por grandes varejistas, como H&M, Zara e Top Shop. No Brasil, grandes redes de varejo, como a C&A, a Renner e a Riachuelo, aderiram à tendência.

FOLK: na música, é um estilo típico do interior dos Estados Unidos. Na moda, é a roupa cheia de franjas, com toques rústicos e artesanais, inspiradas em culturas distantes como as do LesteEuropeu.

GEEK CHIC: gíria que vem do inglês geek, usado para designar os viciados em tecnologia. É daí que vêm os óculos com armações grandes e grossas, usados, inclusive, por quem não tem um mísero grau de miopia.

GIPSY: é o estilo cigano, bem em alta, graças à moda étnico chic - pense em saias longas, estampas, bordados e medalhinhas.

GIRLIE: alguém que se veste e se comporta como uma menininha.

GONGAR: no dicionário real significa "reprovar", mas os fashionistas adoram dizer "gongou" para algo que deu errado ou para alguém que queimou o próprio filme.

HIGHLIGHTS: O momento mais quente, a sensação de um desfile, de algo evento

HI-LO: do inglês high (alto) e low (baixo). É usado na moda para dar nome aos looks que misturam peças caras, de grandes grifes, com itens baratinhos e sem assinatura - como uma bolsa Chanel usada com uma camiseta Renner.

HYPE: Excesso de propaganda, algo que cause muita expectativa antes de seu lançamento, euforia de divulgação. Na moda, é algo como moderno, da última moda.

HAUTE COUTURE: Alta costura

HEAT: Algo quente, caloroso

HIT: Algo que é o sucesso da estação

HOBO: inspirado nos jovens sem casa, que viviam nos Estados Unidos nos anos 1930 (época do crash da Bolsa) e pegavam carona em trens. É o estilo que prioriza roupas cheias de bolsos e muitas sobreposições, como se a pessoa levasse a própria casa nas costas.

IT: a definição de ser it é como ser ou ter aquele diferencial, um algo a mais. É a peça que levanta a produção: bolsas e sapatos são os favoritos das mulheres. No caso das meninas mais estilosas, a definição é it girl - garota que se destaca pelo seu estilo e é copiada por outras meninas.

JET SET: Grupo de pessoas na sociedade que tem poder aquisitivo suficiente para viajar freqüentemente de avião, especificamente de jatinhos particulares.

LABEL: Grife

LBD: sigla para ‘Little Black Dress’, o vestidinho preto básico.

LITTLE BLACK DRESS: Pretinho básico

LULUS: Meninas ricas, patricinhas

LADYLIKE: o estilo "mulherzinha", adorado por quem não dispensa uma boa saia rodada.

MUNDINHO: um microcosmo que vive em função da moda. 

OFF-WHITE: variação de branco. Branco ‘sujinho’.

OUT OF FASHION: Fora de moda

PANGUÃO - é o mesmo que "o cara que se veste mal".

PRÊT-À-PORTER: do francês, ‘pronto para usar’, o oposto de alta costura. Roupas prontas divididas por tamanhos e não feitas sobre medida.

RICA (ou fina, ou grega, ou novela das 8): mulher impecável que sabe se vestir e se maquiar de maneira ultraelegante.

SAVOIR-VIVRE: Saber viver.Ter conhecimento e prática dos usos e costumes da vida social, habilidade em lidar com os seres humanos em geral, decorrente da experiência da vida e do convívio com outras pessoas; tirocínio, discernimento. Na moda é utilizada pra te dizer que alguém sabe viver porque tem elegância, é fino.

SO LAST SEASON: algo que está totalmente fora de moda.

STYLISTS: Profissional que cuida estilo de marca, ou produção de moda.

TEE: de T-shirt, que significa camiseta, em inglês.

TRENDSETTER: Gerador de tendência, gente que lança moda.

UP: Dar um trato no visual, levantar o astral, deixar pra cima.

VINTAGE: Uma peça antiga, que tenha mais de 20 anos de idade. Não confundir com retrô.


Gostou?

Fica a dica! =)

Um século de estilo por Karl Lagerfeld.

quarta-feira, 13 de junho de 2012

Karl Lagerfeld, diretor artístico da Chanel, reviveu um século de estilo em suas ilustrações. O Kaiser redesenhou modelos icônicos de cada década do século passado na História da Moda para o jornal francês Le Figaro. Na lista de ilustrações inspiradores do kaiser, silhuetas que evocam Poiret, Schiaparelli, Dior, Courreges, Yves Saint Laurent e, claro, Chanel. 

Confere aí.


Fica a dica! =)


Aquisições da biblioteca

domingo, 20 de maio de 2012

Nem só de livros sobre os gregos vive uma simples doutoranda. Espia as "news aquisitions", bebê!




"Por Dentro da Moda"
Shari Benstock


Inspiradas nos sapatos de Joan Crawford no filme Almas em suplício e tomando como ponto de partida o ensaio de Michel Foucault, Vigiar e punir, Shari Benstock e Suzanne Ferriss organizaram Por Dentro da Moda, uma coletânea de dezesseis textos sobre moda, dispostos em três blocos: consumo, visual e política. A obra redimensiona o ato de vestir, correlaciona o gesto com os movimentos sociais, políticos, econômicos, sexuais, e promove uma discussão sobre comportamento, corpo e atitude a partir de ícones da cultura pop, como as bonecas Barbie, o fenômeno Twiggy, considerada a primeira top model do mundo, e as idiossincrasias de Madonna. 

Esse livro foi presente de minha amiga Carmen Sabino. Obrigada, richie!




"Moda & Inconsciente: Um Olhar de Psicanalista"
Pascale Navarri


É um livro baseado na psicanálise, que traz à tona um olhar mais profundo sobre a moda e assim nos permite desbravar seus conceitos.

A moda está em todos os lugares e alcança todas as classes sociais. A cada desfile e troca de estação, já estamos lá, sedentos por novidades e atentos para o novo hit da temporada.

Mas por que será que nos importamos tanto em nos vestir de acordo com tendências, combinar peças e cores, usar a bolsa certa, combinar acessórios, entre tantas outras coisas? Por que respeitamos tanto o indispensável da moda que nos instiga a trocar a própria imagem por outra de que, às vezes, nem gostamos tanto?

Essa é a proposta desse livro.


Fica a dica! =)



História da Moda: Haute Couture - O que é?

sexta-feira, 22 de julho de 2011

Armani
Todo mundo que lê revistas de Moda, acompanha blogs e desfiles escuta muito falar em Alta-Costura. Logo, associa a desfiles deslumbrantes, com roupas "malucas", que ninguém usaria por ai, certo? Bom, pensando nessa interpretação equivocada do termo, resolvi em criar um post sobre.

Alta-costura (haute couture em francês) refere-se à criação (de forma artesanal) de modelos exclusivos pelas grandes maisons. Os modelos utilizam materiais refinados e exclusivos, como tecidos nobres, bordados, pedras e metais preciosos.

Originalmente, o termo foi aplicado ao trabalho realizado pela maison de Charles Frederick Worth, um inglês que produziu em Paris, em 1858, o primeiro desfile de moda conhecido (e, além disso, usando modelos, em vez de cabides, outra novidade na época). 

Worth deixou sua marca na indústria da moda francesa. Revolucionando a forma como a costura tinha sido anteriormente percebida, Worth transforou a costureira em uma designer de moda. Criando modelos exclusivos, com cores e tecidos selecinados, o estilista fazia roupas sob medida. Devido a alta especialização e refinamento do trabalho, os preços dos modelos eram caríssimos, direcionados, por isso mesmo, a clientes exclusivos.

Seguindo os passos de Worth foram Soeurs Callot, Patou, Poiret, Vionnet, Fortuny, Lanvin, Chanel, Mainbocher e Schiaparelli. Algumas dessas maisons existem hoje sob a liderança de designers mais jovens, que sucederam seus fundadores.

Reparem na riqueza de detalhes.
Na década de 1960 um grupo de jovens designers que havia trabalhado com homens como Dior e Balenciaga, deixaram estas estabelecidas casas e abriram suas próprias. O mais bem sucedido destes jovens designers foi Yves Saint Laurent, mas não podemos deixar de citar Pierre Cardin , André Courrèges , Ted Lapidus  e Emanuel Ungaro.  Lacroix, Jean-Paul Gaultier e Thierry Mugler já são casas estabelecidas no final do século XX. Devido aos gastos elevados de produção de coleções de alta-costura, Lacroix e Mugler, cessaram as suas atividades nessa modalidade.

Valentino

Chanel


Gaultier -  l'enfant terrible
Lacroix


Atelier Versace
Na França, haute couture tornou-se uma denominação que goza de proteção jurídica e que só pode ser usada por empresas que atendam a determinados padrões bem-definidos (como empregar no mínimo 15 pessoas nos ateliês e apresentar à imprensa uma nova coleção a cada estação, pelo menos 35 modelos para noite e dia). Para ser considerada uma maison de alta costura, é preciso que ela conste na restrita lista de profissionais estabelecida e regida, desde 1868, pela Câmara Sindical da Alta Costura (Chambre Syndical de la Haute Couture - Paris), sediada no Ministério da Indústria francesa e cumprir com todos os critérios estabelecidos em 1945 e atualizados em 1992. Todavia, o termo também é usado para descrever toda a produção dos grandes costureiros, seja ela produzida em Paris ou em outras capitais da moda, tais como Milão, Tóquio, Nova York, Roma e Londres.

Galliano - o Rei da Alta Costura.

Dior -Outono/Inverno 2011
As roupas de alta-costura, por serem personalizadas e extremamente caras, não são mais a principal fonte de renda das maisons, muitas vezes custando muito mais a sua produção do que sua venda. A grande vantagem de um desfile de alta-costura é perpetuar a fama da casa, seu estilo e estilista, contribuindo para a venda dos produtos "secundários", como roupas prêt-à-porter (pronta-para-vestir), perfumes, acessórios e etc. É destes itens que o lucro maior das casas vem. 

Os looks de uma passarela de alta-costura não são para serem, necessariamente, usados na integra. Há, como eu disse, um seleto grupo de clientes que podem pagar pelos modelos. Alguns clientes, mais extravagantes, podem até usar um look mais "diferente". Mas não há como negar que são belíssimos. As criações de alta-costura são espaços para a expressão livre do estilista e muitos se consagram não por suas roupas prêt-à-porter, mas por suas criações alta-costura.

Eu acho belíssimo!

Fica a dica! =)

Documentário: História da Moda no Brasil

sábado, 4 de junho de 2011

Para quem perdeu: na TV Cultura foi exibido um documentário muito bom que dissertou sobre a História da Moda no Brasil.

O programa trouxe nomes importantes do ramo, como Constanza Pascolato, Glória Kalil, o historiador Jorge Braga, o estilista Ronaldo Fraga, entre outros nos dando um panorama de como se consolidou a Moda aqui por nossas terras, o desenvolvimento do ramo e as perspectivas futuras.




Fica a dica! =)

Moda Brasileira

sábado, 21 de maio de 2011

Pensar em Moda sempre nos remete ao exterior. Nossa primeira referência são as passarelas de Milão, Paris, as grandes Maisons e sua enorme influência na forma de vestir, especialmente das mulhereres.

Hoje eu quero perguntar a você, leitor: acha que existe uma Moda brasileira?

Ah, claro. Existe! Temos semanas e mais semanas de Moda: SPFW,  Fashion Rio, Fashion Bussiness... Mas minha pergunta não está no sentido de produção de Moda  e sim numa Moda a ser chamada de genuinamente brasileira, com uma cara de Brasil.

E eu, humildemente, creio que não. Acredito que nossa Moda ainda precisa andar alguns anos para criar uma cara, uma estética que seja "Made In Brazil", sem que sofra (ou, pelo menos, não sofra tanto) as incontáveis influênias do exterior.

Europeu: Eles vieram para cá e trouxeram muitas idéias!
Há uma palavra que deve ser mencionada: existe o que é conceitual e o que é comercial, vendável. Logo, por uma questão capitalista, muitas grifes brasucas preferem investir em algo que seja vendável. Fazer apostas naquilo que vai ser tendência, no que vai cair no gosto do público. E com isso, tavez, os estilistas percam a chance de criar algo que leve a cara do nosso país.

Diversos elementos ajudaram a criar nossa identidade perante o mundo. Quando se fala de Brasil lá fora, do que se lembra? Praia, futebol, samba, mulheres LINDAS (curvilíneas e morenas) e Carnaval. O brasileiro possui uma forma toda especial de ser: de ser simpático, de ser receptivo, de ser solidário ao outro, de ser festeiro, de ser sensual e "brega".



Sim. Quando olhamos qualquer livro, blog e etc de streetwear gringo, identificamos uma forma específia de se vestirem. Uma cartela própria, exageros e combinações que não reconhecemos por aqui. Mas, nós também temos disso. Incorporamos em nossas roupas esses elementos a que os gringos lá fora nos relacionam (e nos reduzem, #fato). Nossa sensualidade está nos nossos trajes. Qualquer roupa, no brasileiro, é um pouco mais curta, um pouco mais justa, um pouco mais transparente, um pouco mais... E somo bregas! Fazemos combinações impensadas! Exageramos. Mesclamos. E isso é divino. Divertido.

Talvez essas misturas venham de elementos culturais advindos da nossa própria formação histórica: portuguesa, africana e indígena (isso, sem pensar nos imigrantes, que chegaram depois...). Então, nós, brasileiros, somos mestres (doutores até, eu diria!) em usar um terno, uns colares bem festivos e um lenço amarrando os cabelos. Faria sentido aqui. E ficaria lindo! 

Vai me dizer que essa efusividade de cores e formas não é lindo?
Eu acho um barato. E são essas tentativas que na rua nós diariamente vemos que (eu penso) deveriam inspirar os estilistas para criarem essa nossa estética. Essa coisa que, em qualquer passarela em qualquer lugar no mundo, olharia e diria: isso é Brasil!

Acho que a única que conseguiu reunir todos esses elementos e ser formidável, fazer sentido, foi Carmen Miranda!




Vistamos, pois, nossa brasilidade!

Agradecimentos a Kati*Èwã Ireti, pela foto linda dela! 

Fica a dica! =)

História da Moda: Minimalismo

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Outono/Inverno Europeu - 2008
Um dos termos que costumamos ouvir muito em Moda é Minimalismo. "Desfile minimalista", "Look minimalista", "Aposta Minimalista". Normalmente, quando falamos assim, estamos nos referendo a economia de adereços, a trajes especialmente simples e impactantes, onde a beleza se encontra justamente na ausência de muitos elementos.

Mas o que pouco sabem é que o Minimalismo em si não é somente uma opção de look, como o rocker, lady like e etc. Antes disso, é a consequência de um movimento artístico, cultural e científico que nasceu no século XX e influenciou diversos campos da atividade humana, dentre eles a Moda. 

Para vocês terem uma idéia, o termo pode ser usado para descrever as peças de Samuel Beckett, os filmes de Robert Bresson, os contos de Raymond Carver e os projetos automobilísticos de Colin Chapman. Confuso? Vamos lá.

A essência do minimalismo é o menos. Usa-se de poucos elementos fundamentais como base da expressão, seja em que esfera for. Caracteriza-se pela extrema simplicidade de formas e pela abordagem literal e objetiva dos temas. As obras minimalistas possuem um mínimo de recursos e elementos, justamente para dessa limitação, nascer a expressão máxima daquele que as utiliza. Assim, os minimalistas produzem objetos, idéias, expressões... simples, mas com sofisticação. 

A pintura minimalista usa um número limitado de cores e privilegia formas geométricas simples, repetidas simetricamente. Um quadro de 1913 do pintor russo Kasimir Malevich (que mostra um quadrado preto sobre um fundo branco) serviu como ponto de partida para, meio século depois, termos o desenvolvimento do minimalismo na arte.

Kasimir Malevich - 1913

Por volta dos anos 60, o minimalismo ganha força nas artes plásticas. Ele surge após o ápice do expressionismo abstrato nos Estados Unidos. Havia uma insatisfação com a action painting, ramo do expressionismo que dominou a arte americana de vanguarda durante grande parte da década 50. Contrapondo-se a esse movimento, o minimalismo procurava através da redução formal e da produção de objetos em série, transmitir ao observador uma percepção fenomenológica nova do ambiente onde se inseriam. 

Instalação artística de Dan Flavin
Artistas como Dan Flavin (que através de tubos luminosos modifica o ambiente da galeria), Sol LeWitt (que criou estruturas compostas de elementos cúbicos ou derivadas do cubo, que convidavam o espectador a reconstruir o retrato mental das variações possíveis de uma dada figura), Frank Stella (conhecido por seus quadros recortados, pintados com cores planas ou em bandas monocromáticas), Donald Judd (considerado excessivamente geométrico até mesmo para os conceitos do construtivismo), dentre outros, foram grandes representantes do Minimalismo não só nas artes, mas como movimento, buscando sua aplicabilidade em diversas áreas.

Frank Stella - Série Transferidor  - 93 pinturas baseadas em 31 de formatos de tela, cada um com3 tipos de composição

Sol LeWitt, Incomplete Open Cube,1974

A música minimalista nasceu com a série Composições 1960, criada por La Monte Young, esta pode ser cantada apenas com duas notas. Nessa área quase se poderia dizer que teve como um de seus precursores o compositor alemão Carl Orff, em Carmina Burana. Os compositores minimalistas passaram a adotar um estilo simples e literal, e dessa forma criaram uma música extremamente acessível. Phillip Glass, Steve Reich, Arvo Part, Cornelius Cardew, Yann Tiersen, John Coolidge Adams e Frederic Rzewski são grandes expoentes desse grupo, junto com Carl Orff.  



A literatura minimalista caracteriza-se pela economia de palavras, evitam-se advérbios e sugerem contextos a ditar significados. Espera-se dos leitores uma participação ativa na criação da história, pois eles devem “escolher um lado” baseados em dicas e insinuações. Os personagens de histórias minimalistas tendem a ser comuns, nunca personagens formidáveis, como famosos detetives ou ricos. A raiz da literatura minimalista americana é o trabalho de Ernest Hemingway, e um dos melhores exemplos desse estilo é o seu Hills Like White Elephants. No Brasil tem crescido muito a produção de minicontos (ou microcontos), gênero associado ao minimalismo. Nesse sentido a obra Ah, é?, publicada por Dalton Trevisan em 1994, é considerada obra-prima do estilo minimalista.

Na Moda, esse movimento não poderia passar em brancas nuvens. Aqui impera o lema "Menos é mais". O minimalismo no mundo fashion (como ocorreu com o movimento em si - não se esquecendo que sua influência na moda foi somente um desdobramento em mais uma área da atividade humana) sempre vem associado a uma resposta aos excessos. Muitas vezes notamos uma forte influência do Minimalismo em coleções posteriores a estações onde imperaram modelos com brilho, cores fortes e demais exageros. 

CK, Lanvin e Narciso Rodriguez
CK, Outono 2010




Fashion-Rio 2011 -Walter-Rodrigues, em minimalismo andrógino

O que caracteriza a moda minimalista é a sofisticação no shape, na alfaiataria; a atemporalidade, a tecnologia, a cartela de cores reduzida e a estética clean, com forte apelo geométrico. O famoso “pretinho básico” é um ícone. Há quem diga que Chanel pode ter sido a criadora, na moda, do minimalismo. Coco promoveu uma mudança no modo de se vestir das mulheres de sua época. Foi uma estilista que partiu bem desse conceito do "menos é mais" para ter suas idéias, tornando famosas peças elegantes e sóbrias conhecidas até hoje. Tá certo que ela investia em acessórios, o que seria a primeira evidência de que seu estilo poderia não ser minimalista. Mas não há como negar que Chanel minimizou (e modernizou) o shape feminino, libertando as mulheres de espartilhos, chapéus imensos, roupas extremamente trabalhadas e pesadas.

Chanel por Karl Lagerfeld: Minimalismo na composição e detalhes geométricos.

Ficou interessado? Para saber mais, eu recomendo esse livro aqui:

De Pierre Cardin às artes plásticas, de Olivier Theyskens, à foto de Kate Moss em uma Vogue de 1993. A autora Elyssa Dimant explorou desde a década de 1960 até os dias de hoje. Pela editora norte-americana Collins Design, o Minimalism and Fashion: Reduction in the Postmodern Era tem o prefácio escrito por Francisco Costa, brasileiro e estilista da Calvin Klein (#bapho!). O livro traça ainda paralelos entre Coco Chanel, Roy Halston Frowick, Andy Warhol e Miuccia Prada. 


Fica a dica! =)

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