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Homenagem

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011




Alguns exemplos de elegância não devem ser esquecidos.
Descanse em paz.

#Luxo
















Só tenho uma coisa pra dizer: #Luxo.

Fica a dica! =)

As incongruências do Mundo da Beleza

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

O que mais leio nas revistas de LifeStyle, Moda e afins é que a roupa e seus acessórios é uma das formas de você se expressar. Que há modelagens, padrões, cores para todos e que a Moda, mas acima de tudo, a Beleza, não deve ser excludente, mas abrigar a todos os tipos de grupos.

Na contra-mão desse discurso, cada vez que eu abro uma revista ou vejo um post em algum blog, presencio uma celebração da magreza e branquitude. Modelos cada vez mais anoréxicas ocupam ensaios onde vende-se a idéia de que quanto mais magra você for, mais bonita você será.

Não vou negar não: moda plus size me faz rir. Mas não porque eu tenha algo contra as gordinhas. Mas porque as roupas para essas meninas são, em sua maioria, feias. Não há o mínimo de preocupação em criar modelagens, escolher cartelas, tecidos que favoreçam essas moças, mulheres e senhoras! Dai, a máxima "Tudo fica bem em Magro" ganha eco. Não é bem assim.

Como ignorar a história da modelo Crystal Renn e sua batalha contra a anorexia? Após se recuperar do distúrbio, a jovem foi uma das modelos a levantar a bandeira da Moda para gordinhas, questionando por que não seria belo ver as incríves criações das Maisons desfiladas por modelos com curvas mais interessantes que esqueletinhos ensaiados.

A modelo Tara Lynn (da foto ao lado) é dona de um manequim 46 e faz sucesso no exterior e aqui no Brasil. Casos como esses se multiplicam pelo mundo, mas ainda parecem ser mais exceções do que regras, mostrando como o meio que trabalha e vende a beleza ainda é cruel com certos assuntos.

O que dizer da questão racial? Ter a pele clara, em muitas culturas, é símbolo de status, de "superioridade" (pensemos na África, a Índia, no Oriente Médio...). Há uma supervalorização do esteriótipo europeu em todos os níveis.

Um blog que eu gosto muito, De Chanel na Laje, fez uma interessante reflexão sobre a questão da pele no mundo da beleza. A autora afirma ser totalmente incoerente vermos empresas que divulgam um pretenso respeito as raças, venderem produtos que prometem clarear sua pele para que você encontre uma vida mais feliz. É nojento!

A Elle Índia de dezembro veio com uma capa controversa: a atriz e ex-Miss Mundo Aishwarya Rai está mais clara. Isso causou uma forte polêmica e agora Aishwarya quer checar se realmente houve um processo de clareamento via photoshop e, se confirmado, vai processar a publicação. Acha que a moça está errada?


Outro caso que chocou foi esse ano, na mesma revista, em que sua versão americana fez uma capa com Gabourey Sidibe, na qual ela também parecia mais clara. Coincidência?


No oriente, além da questão da pele, temos a busca por uma aparência ocidental. Algumas japonesas se submetem a cirurgia de ocidentalização dos olhos para ficarem mais parecidas com as ocidentais. O procedimento permite mudanças suaves nos olhos, a uma abertura dos mesmos, deixando-os mais arredondados com a chamada dobra de pálpebra superior (deixo os detalhes para os entendidos, rs). Não satisfeitas, essas mulheres ainda tingem seus cabelos dos mais distintos tons de loiro e os encacheiam, na busca por uma aparência longe da oriental. As principais expoentes da cultura, principalmente pop, do Japão adotam esse fenótipo. Confira Ayumi Hamasaki  e Kumi Koda.



Essa busca incessante par se adequar a padrões ocidentais (e europeus) nos faz não ver a real beleza, aquela que se manifesta na diversidade. Querer modificar nossa aparência visando uma padronização, o alcance de uma "beleza padrão", é pura tolice!

Mais cruel ainda: ela mascara influências históricas, práticas que estão muito mais arraigadas na nossa cultura. Remonta às relações entre colonos e colonizadores, entre cultura in e out, entre países desenvolvidos e subdesenvolvidos. Ela denuncia um multiculturalismo que aparece nos versos das músicas que mesclam japonês com inglês, nas madeixas alisadas de moças africanas, nas pílulas que compramos pelo telefone para ficarmos magras! Por que mesmo com esse discurso individualista de "eu sou único e me orgulho disso", mais e mais eu vejo uma padronização no melhor estilo "ser loira, magra e rica"? Isso não diz nada a você?

Volto a dizer, como afirmei em post anterior, não vejo mal algum na pessoa desejar mudar sua aparência para algo que ela julgue mais bonito. O problema é quando essa mudança está embasada numa busca de aceitação/ enquadramento num grupo. E a questão que se coloca é: existe alguma decisão que esteja apartada desse contexto histórico/cultural do enquadramento, da aceitação? (Bourdieu explica!)

Pintar meu cabelo de loiro, fazer cirurgias e/ou emagrecer absurdamente, negligenciando minha própria saúde, não me parece a mais acertada das decisões.

http://crystalrenn.com/

Fica a dica! =) 

Black is Beautiful

Eu acho a pele negra linda! Também, sou descendente de brancos com negros. Minha avó e bisavó eram negras legítimas e com uma pele de dar inveja!

Infelizmente, por razões históricas (colonização e escravidão), o negro ainda não é bem visto. Seja nas relações pessoais (entre pessoas de raças diferentes), seja na associação com o crime, ou mercado de trabalho, sendo relegado a funções mais baixas, com salários mais baixos do que os brancos.

A Moda também tem sua mea-culpa. Modelos altas, magrelas, com cabelos lisos e prioritariamente brancas ainda hoje ocupam o cenário fashion. Canso de contar as modelos negras por desfile, muitas vezes, não passando de duas ou três.

O último São Paulo Fashion Week criou polêmica em torno da criação de cotas para modelos negras. A que ponto está nosso amadurecimento, nossa reflexão em torno do debate racial para necessitarmos de cotas para modelos? Pior: cotas em empregos, em universidades... na vida!

Um dos primeiros nomes que vem a minha mente em termos de beleza negra é o de Naomi Sims, top model americana que fez muito sucesso não só por sua beleza, mas elegância. Sims foi a primeira modelo negra a aparecer na capa  de uma revista feminina americana. 

"Black is beautiful" diziam os novos tempos, de valorização do negro em toda sua africanidade. O movimento cultural negro nasceu nos EUA, na década de 60. Mais tarde se espalhou para o mundo. Destinou-se a dissipar a noção que as feições negras (tais como cor da pele, características faciais, cabelos e etc) seriam inerentemente feias. O movimento incentivou homens e mulheres a pararem de modificar seus cabelos e/ou tentarem clarear ou descolorir a pele, buscando uma pretensa inserção e igualdade com os brancos.

Naomi foi capa da Ladies Home Journal, em 1968. Um ano após alcançou fama mundial através de uma foto na revista Life sendo considerada a Modelo do Ano. Suas imagens estão expostas no Metropolitan Museum of Art de Nova York.

Quando se aposentou, Naomi (ao contrário de sua xará, que só se mete em confusão), criou roupas e cosméticos voltados para a pele negra. Além disso, escreveu livros sobre a  beleza e a carreira de modelo. Faleceu de câncer em 1° de agosto de 2009, mas deixou um grande legado.

Atualmente, a principal expoente da beleza negra na Moda é Naomi Campbell. Da sua xará ela só tem o nome e a beleza. Naomi já deu mostras de seu temperamento difícil e explosivo, o que a levou a ser despedida da agência Elite e de outras. Já envolveu-se em escândalos, sendo presa e tendo que prestar serviços comunitários. Frequentemente vem ao Brasil e realiza ao redor do mundo diversas campanhas, além de já ter rodado muitos filmes.

O mais espantoso de tudo isso é que eu já ouvi muitos conhecidos meus dizerem "Tá vendo? Tinha que ser preto mesmo!". Por que? Só negros erram? Só negros são presos? Ou alguém já se esqueceu do escândalo em que Kate Moss (linda!) foi flagrada com drogas? Então uma modelo loira e branca pode, mas quando é uma negra "é coisa de preto"?

Há outro ponto que me incomoda. Muitas vezes eu vejo a(o)s modelos, atrizes(ores) e etc envolvidos em campanhas publicitárias que longe de valorizarem suas características como algo positivo, colocam-na como algo diferente, exótico. É o outro, por excelência.

É muito comum vermos campanhas de qualquer natureza onde é o negro quem usa as roupas mais provocativas, que faz os gestos "presepeiros", que se expõem. Raramente eu vejo negros realizando campanhas de grandes empresas, interpretando papéis de empresários, mulheres de sucesso... Ou em comerciais de plano de saúde, tratamento dental. Mas eu os vejo anunciando o mais novo cosmético que promete lidar como nenhum outro com sua pele "diferente". É diferente? Sim. Mas porque não colocar essa ênfase num anúncio de cremes para peles excessivamente brancas e que necessitam de cuidados tanto quanto a pele negra? Percebem? Não sou contra a indústria da beleza  melhorar sua oferta de produtos específicos para os negros. Questiono, sim, a abordagem que se faz, não tratando a negritude como uma raça como outra qualquer, mas enfatizando sua eterna "diferença". Cria-se, assim, o distanciamento.

As condições históricas da inserção do negro na sociedade brasileira foram, durante muito tempo, elementos facilitadores do controle e da exclusão política. Felizmente, esse cenário tem se modificado aos poucos. E as modelos brasileiras reforçam o time das mulheres mais lindas do cenário fashion.

Samira Carvalho, por exemplo, começou sua carreira como modelo em 2004, num concurso da revista “Raça”. Lá fora, já desfilou como modelo principal da passarela de Diane Von Furstenberg. Gracie Carvalho foi a campeã de desfiles do último SPFW. Malana ficou em terceiro lugar na segunda edição do Brazil’s Next Top Model e arrasou no SPFW. A beleza marcante de Ana Bela fez com que ela fosse contratada para campanhas no Brasil e no exterior, como as da marca M.Officer e a da grife de cosméticos M.A.C. Emanuela de Paula (da foto) é dona de um dos cobiçados postos de Angel da Victoria‘s Secret, e queridinha absoluta do mundo fashion.

Essa questão está aqui. Nos nossos dias. Desde o momento em que saímos de casa, viramos o rosto para um menino de rua negro até a revista que mensalmente compramos e, naturalmente, aceitamos a proeminência branca sobre todas as coisas. Hoje, uma das primeiras-dama mais fotografada do mundo é Michelle Obama. O presidente e (sua família) são negros. Será que isso ajuda nessa luta contra a exclusão?

 

Todos nós temos preconceitos. Precisamos extirpá-los.

http://naomisims.com/
http://www.naomicampbell.com/
http://www.michelleobamawatch.com/


Fica a dica! =)

Blogs Favoritos

Sou uma seguidora assídua de blogs, confesso. E quem não é? Se você deseja se atualizar minimamente, saber o que está rolando no mundo fashion, foi época de somente lendo a Vogue e a Elle e afins seria o basntante. Hoje em dia, temos uma infinidade de sites, fontes de referências preciosas para nos antenarmos e os blogs são parcelas significativas disso.

Já disse aqui os blogs que mais gosto de visitar. E creio que existem tantos outros tão bons quanto e que merecem nossa atenção, como o Fashion Salad, Anna Del Russo, Chata de Galocha, o Fora de Moda e outros...

 #Masdevoconfessarque aprecio muito os blogs “amadores” ou “desconhecidos”. Está entre aspas porque esses blogs são lidos, divulgados, participam de promoções e etc. Mas possuem seu próprio público e, muitas vezes, não se renderam ainda as propagandas abusivas e as promoções loucas que descaradamente dizem “por favor, leia meu blog! Eu te dou um prêmio”. Alguns blogs parecem existir somente para demonstrar “Olha como sou rica, tenho muito dinheiro e posso comprar tudo que eu quiser”. Se essa fosse a proposta do blog, ok. Direito do dono. Mas camuflar essa arrogância com uma pretensa vontade de escrever sobre Moda, aí, meu bem, é outra história...

Também existem muitos blogs tão fracos em termos de informações que chega a me dar vergonha de como a pessoa tem coragem de postar. Qualquer coisa preta e branca é Chanel, abarrotados de conselhos de livros de auto-ajuda baratos, uma pesquisa mequetrefe (Senhor! De onde eu tirei essa palavra??? Rs) faz um post e no final o que sobra é só repetição. Não há reflexão.

Eu acho que Moda é para refletir. É para inspirar. E acho que os blogs mais ricos, para mim, são aqueles mais simples (e não menos completos). Aqueles blogs feitos com amor, por quem AMA a Moda e suas facetas.

Diante disso, eu elenco aqui meus blogs “desconhecidos” favoritos (não necessariamente são sobre Moda!):










  


 Espero que gostem das sugestões!

Fica a dica! =)
http://louboutingirl.wordpress.com/

Luxo



#Luxo! Vogue China. Confere!

Fica a dica! =)

Li e Amei: “O Evangelho de Coco Chanel”

Já havia algum tempo que eu gostaria de postar aqui sobre esse livro. Mas queria postar somente depois de tê-lo lido todo, embora minhas primeiras impressões já confirmassem minhas suspeitas. O Evangelho de Coco Chanel (2010, Ed. Seoamn) é um dos livros mais deliciosos que já li nos últimos doze meses.

Vou revelar que não sou muito fã de biografias. Acho a maioria muito sonolenta, cheias de detalhes que mais me fazem lembrar um livro de Historiografia do que uma leitura prazerosa sobre alguém a quem você deseja saber um pouco mais. Mas o livro de Karen Karbo foi muito além de qualquer expectativa, despertando em mim (e nos seus milhares de leitores, eu suponho) o desejo de conhecer mais sobre a mulher mais elegante do mundo, nas palavras da própria autora.

Pois bem, o livro é uma biografia? Sim, mas não respeita (em parte) aquela cronologia “eu nasci, cresci, estudei, casei, tive filhos e morri”. Não. Karen busca através de uma espinha dorsal bem definida (as chamadas “lições” que Coco daria para nós, mulheres) construir sua narrativa e, ai sim, usa o critério cronológico. 

Dos anos difíceis em Saumur até a luxuosa vida parisiense e seus misteriosos (e incomuns) casos amorosos, Karen realiza uma arqueologia de Chanel. Ratifica como podemos (e devemos!) utilizar o lado glamuroso e elegante da estilista em nossas vidas, não se levando muito a sério, mas jamais estando desalinhadas.

A inventora do pretinho básico, aquela que valorizava os colares de pérolas, que misturava jóias falsas às verdadeiras, a que não admitia que as mulheres se vestissem de forma complicada e que reinventou a silhueta feminina (ganhando de Paul Poiret e Dior, com reservas, é verdade), era uma mulher de verdades próprias. É ai que Karen esbarra no maior desafio de escrever sobre Coco: como falar de alguém que reinventava tudo sobre si a todo instante, de acordo com a sua conveniência? Chanel contava histórias sobre seu passado, seus romances. Dizia, desdizia, recontava, adicionava detalhes e depois os ignorava. Karbo teve que consultar muitas obras de referência sobre Chanel e sobre aqueles que com ela conviveu para encontrar o comum na sua vida, com a grande chance do comum ser uma grande mentira. Glamurosa, é verdade, mas falsa.

A autora passa pelas amizades que a estilista teve: a pianista Misia Sert; o artista Pablo Picasso, Salvador Dali, o compositor Igor Stravinski, dentre outros. E seus casos amorosos: o criador de cavalos Etienne Balsan, o jogador de Pólo Boy Capel (para muitos – e mesmo para mim - seu verdadeiro amor), o Duque de Weestminster Hugh Richard Arthur Grosvenor (mas conhecido como Bendor), Igor Stravinski e o oficial alemão Hans Günther von Dincklage, este último fazendo com que a estilista ganhasse a inimizades dos franceses, afinal, estávamos em plena Segunda Guerra e a Alemanha havia rendido a França.

Mas o que marca mesmo essa publicação são as famosas citações da inventora do nº 5. Verdades tão absolutas quanto sua elegância:



“Uma mulher que não usa perfume não tem futuro”

“Há tempo para o trabalho e tempo para o amor. E não há tempo para mais nada”

“A resposta não é recuar e sim subir mais alto”

“Preciso lhe dizer uma coisa importante. A Moda é sempre da época em que se vive. Não é coisa independente.”

“Toda moda é criada para ficar fora de moda.”

" Vista-se mal e notarão o vestido. Vista-se bem e notarão a mulher. "

“O mais corajoso dos atos ainda é pensar com a sua cabeça. Alto.”

"Eu não entendo como uma mulher pode sair de casa sem se arrumar um pouco - mesmo que por delicadeza. Depois, nunca se sabe, talvez seja o dia em que ela tem um encontro com o destino. E é melhor estar tão bonita quanto for possível para o destino."


Com uma narrativa leve, divertida e direta, O Evangelho de Coco Chanel é leitura indispensável para aqueles que desejam conhecer mais sobre essa mulher tão única que foi Coco e com uma leitura tão singular quanto ela mesma. Foi vencedor do Prêmio Chic 2010, como Livro Fashionista, empatando com It Girls, de Ale Garattoni. Recomendadíssimo, não? E você pode adquirir em qualquer livraria.

Confira também o site da autora: http://www.karenkarbo.com/

Fica a dica! =)

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