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Cadência de uma balada perdida...

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Algumas músicas me fazem voltar  a situações, lugares, pessoas que não voltam mais.

Mas a banda finlandesa Nightwish consegue me fazer isso...o tempo todo.

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Come cover me with you
For the thrill
Till you will take me in
Come comfort me in you
Young love must
Live twice only for us


Come cover me with you
Come cover, come cover me now
(Come Cover Me)

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Would you do it with me

Heal the scars and change the stars
Would you do it for me
Turn loose the heaven within


I'd take you away
Castaway on a lonely day
Bosom for a teary cheek
My song can but borrow your grace


(Chorus)
Ever felt away with me
Just once that all I need
Entwined in finding you one day


Ever felt away without me
My love, it lies so deep
Ever dream of me


Come out, come out wherever you are
So lost in your sea
Give in, give in for my touch
For my taste for my lust


Your beauty cascaded it on me
In this white night fantasy
(Ever Dream)

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For the heart I'll never have
For the child forever gone
The music flows, because it longs
For the heart I once had
(For the heart I once had)

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Only so many times
I can say I long for you
The lily among the thorns
The prey among the wolves
(...)
This one is for you for you
Only for you
Just give in to it never think again
I feel for you
(I feel for you)
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Fare thee well, little broken heart
Downcast eyes, lifetime loneliness


Whatever walks in my heart will walk alone
Constant longing for the perfect soul
Unwashed scenery forever gone


No love left in me
No eyes to see the heaven beside me
My time is yet to come
So I'll be forever yours
(Forever Yours)


A Indumentária como Identificador Social – Um Estudo no Teatro Grego

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Bom, como alguns de vocês já devem saber, sou historiadora por formação. Me especializei em História Antiga Grega e estou no doutorado estudando as práticas de vestir dos gregos, especialmente dos atenienses.

Existem muitas formas de vocês pesquisar esse tema na Antiguidade: documentação textual, imagética, cultura material... Para o post de hoje eu escolhi colocar uma parte de uma comunicação que eu apresentei na UERJ no ano passado, onde eu busquei trabalhar justamente esse objeto do ponto de vista do teatro grego antigo. Vamos estudar um pouco sobre a indumentária grega Clássica e seus sentidos?

Eu acredito que o ato de vestir-se é um fenômeno social, imerso em diversos contextos, como histórico, social e cultural. Utilizo-me dos textos trágicos como subsidio documental, de forma a perceber como a vestimenta ajudava na identificação do status social da personagem, e assim, entender o próprio estatuto da roupa Atenas Clássica.

Embora muitas vezes tratada como escolha eventual, fruto de livre-arbítrio daquele que a usa, a vestimenta, na verdade, está inserida numa série de prerrogativas que a acompanham. Neste sentido, a vestimenta passa de um mero dado prático cotidiano, ganhando importância fundamental para entendermos os valores e a construção de identidades e status de qualquer sociedade. Partimos da premissa de que o ato de vestir-se é um fenômeno social, inserido dentro de um contexto histórico. Este contexto é afetado por fatores políticos, culturais e econômicos, e está diretamente relacionado à produção intelectual, estética e ideológica desta sociedade, sendo permeada pelos valores sociais vigentes, identificando os sujeitos em suas subjetividades e coletividades, gerando sentido.

Deve-se observar que não é somente a roupa que vai definir quem é o indivíduo no interior de um grupo ou caracterizar uma posição social; o que também contribuirá para sua aceitação e posicionamento é o movimento que se faz "dentro" das roupas. Nesse sentido, o ato de vestir-se deixa de ser um somente uma necessidade humana e passa a ser fenômeno social e histórico. As roupas, ornamentos e acessórios que observamos constituem e são constituídos por valores sociais vigentes, que irão identificar os agentes. Ela é mais que uma junção de tecidos e materiais, é geradora de sentido, é linguagem, expressão.

Atualmente, muito do que sabemos sobre os “usos” das roupas na Antiguidade vem de pinturas em vasos e em paredes, bem como da estátuária. Ao contrário das jóias, que tendem a durar por um bom tempo, por serem feitas de materiais inorgânicos, poucos indumentos foram preservados. As cores que peças de roupa e estátuas apresentavam, ao longo do tempo, foram desgastando-se, dando uma aparência branca ou amarelada para tais itens, o que acabou por influenciar toda uma tradição arqueológica e historiográfica sobre o mito dos helenos só usarem roupas claras. Contudo, com o aperfeiçoamento das técnicas arqueológicas, sabe-se que a indumentária grega era muito mais rica em termos de estamparias, cores, bordados e tecidos, o que revela o refinamento e riqueza.

Entender o vestir-se como um ato social e observar os sentidos e os comportamentos esperados pelos indivíduos em função da roupa que vestem pressupõe considerar que suas práticas são baseadas em expectativas que estão além de suas vontades imediatas. Há uma série de mecanismos que aludem a necessidade de adequação dos agentes às ações esperadas pelo grupo social no qual se insere. Percebemos discursos sociais que apontam a necessidade de ajustamento das condutas ao comportamento julgado adequado em total conformidade com a roupa que trajam. Neste sentido, acreditamos que o conceito habitus de Pierre Bourdieu, está em total acordo com nossa premissa.

A noção de habitus é, deste modo, orientada para o senso prático, para ação social levada a cabo como atitudes incorporadas e não necessariamente refletidas na efetivação da ação. Ela associa agentes sociais e sociedade, visto que a sociedade é parte constitutiva do que o agente é, através da introspecção de valores que o caracterizam e definem (BOURDIEU, 1996, p. 42). O habitus, apesar orientar os comportamentos do agente a partir de um senso prático, não determina as escolhas, mesmo que estas sejam feitas a partir de uma quantidade de variáveis habitualmente admitidas pelo contexto histórico vigente (BOURDIEU, 1992, p. 88-89). O habitus é responsável pelas práticas objetivamente classificáveis, sem deixar de ser um sistema de classificação. 

A vestimenta e seus sentidos, na Antiguidade Ateniense Clássica, podem ser perfeitamente inseridas na noção de habitus:

1) A vestimenta está sujeita às alocações e deslocamentos oriundos da mudança, que conduzem à revisão dos comportamentos e sentidos gerados por ela no senso prático;
2) Permitem compreender a exterioridade interiorizada dos indivíduos, na medida em que os comportamentos são justificados pelas concepções vigentes na sociedade e que os indivíduos assumem e refletem no momento que trajam determinado indumento;
3) Oferecem espaço para pensar as variáveis que incidem sobre a roupa e que tornam os agentes particulares, como gênero, etnia, status social e recursos financeiros.

Um das documentações mais profícuas para o estudo da roupa e seu sentido social é a documentação textual, em especial a teatral. Nele, poderemos entender como a vestimenta obedece a lógica apontada por Bourdieu com relação ao habitus. 

O teatro era o espaço do tudo dizer. Exercício cívico da religiosidade, celebração da koinonía, dos valores políades e da exibição pública. Através das personagens, autores cômicos e trágicos recontavam mitos atualizando-os, educavam a platéia, colocavam questões pertinentes a pólis (a Cidade-Estado grega, a grosso modo) em debate e celebravam uma unidade permeada por muitos diversos – o cidadão, o estrangeiro, o escravo, os deuses - em suas vicissitudes, tramas e contradições, que formavam a pólis em sua essência.
      

Por se tratar do espelho mais próximo da própria pólis, era natural que as práticas encenadas, o tratamento entre as personagens e mesmo sua indumentária fosse próxima a do cotidiano. Isso porque, mesmo que aceitemos que a indumentária teatral possuísse suas próprias modelagens e apresentações com a finalidade do espetáculo, elas partiam de um dado primordial – a roupa usada pelas pessoas em seu cotidiano. 

Assim, devemos ter em mente que se temos um sacerdote em cena, ele deveria estar trajado com signos que remetam ao espectador a sua identidade. Um desses signos é seu indumento, aliado a máscara e a cenografia, situando a platéia em sua identidade. Também entendemos que a indumentária trajada pelas personagens não refletem a forma de vestir dos helenos, mas acreditamos que a partir dos elementos que são relacionados a essa vestimenta seria possível investigar como a sociedade grega se vestia e que sentidos atribuía a suas roupas. 

Nesse sentido, as tragédias e as comédias nos apresentam grandes testemunhos de como a indumentária era usada para identificação dos grupos e do status social das personagens. 

Passemos as tragédias. Na tragédia Filoctetes, de Sófocles, a personagem homônima ao avistar Neoptólemo, reconhece se tratar de um heleno pelas suas vestes:

             Filoctetes:
             Quem sois? O estilo de vestuário evoca
             Em mim a Hélade adorável!

             (SÓFOCLES. Filoctetes. vv.223-224)

            Na mesma tragédia, temos outra alusão a vestimenta, quando o herói Odisseu avisa a Neoptólemo que, caso demorasse, enviaria um homem disfarçado de mercante falar com o filho de Aquiles para passar algumas informações e buscar outras:

Odisseu:
Se tardares demais, é ele quem
Virá em vestes de mercante a fim
De aproximar-se livre de suspeitas
(SÓFOCLES. Filoctetes. vv.126-128)

            Na tragédia As Troianas, de Eurípides, é na fala de Hécuba, direcionada a Helena, que encontramos uma referência sobre a riqueza da casa troiana justamente pela roupa trajada por Páris:

Hécuba:
A imagem de meu filho em sua roupa exótica
Bordada de ouro fulgurante,
Transtornou-te a alma (...)
(EURÍPIDES. As Troianas. vv. 1261-1263)

            A esposa de Príamo descreve a roupa de seu filho com uma padronagem que reflete seu status social e sua riqueza; não é um bordado qualquer e sim um bordado com ouro. E desperta a atenção de Helena, segundo Hécuba: a qualidade do bordado demonstra a que camada social a personagem pertencia.

            Na mesma tragédia, Hécuba questiona a postura altiva de Helena frente ao destino das mulheres da casa troiana, mostrando que, mesmo em um momento de guerra, Helena não adotou hábitos comedidos e ignorando as circunstancias, adornava-se além da conta. Pior: para Hécuba, por Helena ser a causadora da contenda, deveria ser a que mais humildemente deveria se apresentar, incorrendo, exatamente, o contrário.

Hécuba:
Além disso, teu corpo adornas ao saíres e com teu marido olhas
para o mesmo céu, ó figura desprezível:
Era necessário humilde, em trapos de péplos,
De horror tremendo, de cabeça raspada
Vires, mas modéstia do que imprudência
(EURÍPIDES. Troianas. v.1023-1027)
Em Electra, do mesmo autor, temos outro exemplo da indumentária servindo como prova dos efeitos nefastos da guerra, aludindo a pobreza. É nas palavras da heroína homônima que tomamos ciência de sua situação:

Electra
Meu coração bate rápido infeliz, amigos, mas não a adorno ou ouro, nem vou criar refrões com as moças de Argos e bater meu pé nos labirintos da dança. Por lágrimas que eu passar a noite, as lágrimas são o meu dia infeliz. Veja se o meu cabelo sujo, e os trapos do meu vestido, estarão aptos para uma princesa, filha de Agamemnon, ou para Tróia, uma vez tomadas, que se lembra de meu pai.  (EURIPIDES. Electra. Vv. 175 -190)

Na Electra, de Sófocles temos mais indicativos da relação vestimenta e riqueza/status social. Electra, uma das personagens da peça oferece para que seja colocado no túmulo de seu pai seus cabelos maltratados como súplica e seu cinto que nada tem de luxuoso (SÓFOCLES. Electra. vv. 446-447). As referências sobre as roupas de Electra são relevantes:

sou  tratada  de  escrava  no  palácio,  uso  esta  vestimenta inconveniente e  tenho que assediar mesas que nada  têm para mim (...) Depois,  imaginai que  dias passo quando vejo Egisto sentado no  trono de meu pai, usando as mesmas vestimentas que ele (...)  (SÓFOCLES. Eléctra. vv. 192-193). 

Electra evoca a permissão de, enquanto filha de Agamemnon, vestir-se adequadamente. E da mesma forma, não suporta ver Egisto trajando-se antes como seu pai trajava-se, justamente por sua nova posição.

Em Alceste, de Eurípides, temos mais um exemplo. Na tragédia temos a informação sobre a utilização do preto em sinal de luto, quando o segundo Corifeu pergunta sobre que postura deve adotar frente a morte da esposa de Admeto:

Segundo Corifeu:
Devemos cortar os cabelos rentes?
E vestir os negros trajes de luto?
(EURIPIDES. Alceste. vv. 273-4)
As roupas e sua ligação com o feminino foram destacadas por Eurípides na tragédia Hipólito.  A citação ajuda-nos a estabelecer a relação vestimenta / gênero feminino / riqueza:

 Hipólito
Por sua vez, aquele que recebe em casa essa raça fatal, esmera-se em cobrir com adornos belos o ídolo indesejável, mas para ornamentá-la com lindos vestidos, aos poucos o infeliz vê os seus bens sumirem (EURIPIDES. Hipólito. vv. 669-673).
           
         Como será que na comédia? Em Aristófanes, temos indicações de como a vestimenta estava intimamente relacionada com a identificação de grupos, riqueza e status social. Na comédia As Vespas, o escravo de Filocleão, Xântias, está explanando ao público sobre a situação de seu senhor e da estranha doença que acomete o pai do senhor, Bdelicleão, sobre não poder ficar um só dia sem julgar. Em dado instante da fala do escravo, temos a seguinte afirmação:

A princípio este [Filocleão] empregou a brandura e pediu-lhe [a Bdelicleão] para não voltar a pôr o manto curto. (ARISTÓFANES. As Vespas. vv. 114-116)

O “manto curto” era próprio das pessoas do povo que compunham a maioria dos heliastas (cidadão que tinha assento em um tribunal ateniense que funcionava ao ar livre, logo ao nascer do sol).

É interessante notarmos como a vestimenta acaba por vincular naquele que a traja, comportamentos que são esperados. Na comédia Rãs, do mesmo autor, temos um exemplo fundamental. Dioniso e seu escravo Xântias estão prestes a entrar na casa de Perséfone e são recepcionados por uma criada, que pensa tratar-se de Héracles pelas roupas que Xântias trajava. A troca de roupas havia sido feita entre Xântias e Dioniso, desafiando o escravo quanto a sua bravura:

Dioniso:
Pois bem, já que és resoluto e destemido, faze meu papel: toma esta clava e a pele de leão, se de fato és valente. Eu te servirei de carregador. (ARISTÓFANES. As Rãs. vv. 495-497)

Versos depois, temos o coro a afirmar:

Coro:
Agora que novamente vestistes o disfarce que trazias, tens que mostrar-te corajoso, lançar olhares terríveis, a exemplo do deus, cujo papel representas. Se, porem fores surpreendido dizendo disparates, ou se deixares escapar alguma palavra pusilânime, será obrigado a retomar as bagagens. (ARISTÓFANES. As Rãs. vv. 590-597)

Esperava-se de Xântias que, por trajar-se como Héracles (usando a pele de Leão e a clava), ele se comportasse dentro das características do deus, quais sejam, a postura altiva, a bravura, a força e a gula.  Na mesma comédia, ainda temos o exemplo de como as vestimentas, quando não usadas da forma esperada, provocavam impressões diversas. Temos Dioniso e Xântias à porta da moradia de Héracles, para pedir informações de como chegar ao Hades. Ao ver a forma como Dioniso estava trajado, o herói não contém sua reação:

Héracles:
Não, não é possível, conter o riso, quando vejo uma pele de leão sobre um vestido de mulher! Que significa isso? Que relação há entre um coturno e uma clava? Por que terras andastes?  (ARISTÓFANES. As Rãs. vv. 45-49)

Assim, pudemos observar que nos distintos estilos de texto teatral, que as construções sociais acerca das vestimentas ajudavam a identificar e ratificar a proeminência, o status de um grupo, sua riqueza e/ou a sua identidade.

Presume-se, por conseguinte, que a vestimenta seria um mecanismo social que interiorizava tanto naquele que as usava quanto naqueles que viam os agentes usarem, sistemas de identificações e comportamentais.


Para saber mais – Bibliografia

Documentação Textual
ARISTÓFANES; EURÍPIDES. O Ciclope, As Rãs e As Vespas. Trad. Junito de Souza Brandão. Rio de Janeiro: Espaço e Tempo, s/d.
EURIPIDE. Théatre Complet. Trad. Marie Delcourt-Curves. Saint-Amand: Gallimard, 1991.
EURÍPIDES. Alceste. Trad. Bernadina de Souza Oliveira. Coimbra: Instituto Nacional de Investigação Científica, 1979.
SÓFOCLES. Filoctetes.  Trad. Trajano Vieira. São Paulo: Editora 34, 2009.
SOPHOCLES. Tragédies: Théâtre complet: Les Trachiniennes, Antigone, Ajax, Oedipe Roi, Electre, Philoctète, Oedipe à Colone. Translated by Paul Mazon. Paris: Gallimard, 1994.

Bibliografia Específica
BAUDRILLARD, Jean.  A moda ou magia do código.  In: A troca simbólica e a morte. São Paulo: Edições Loyola, 1996.
BOURDIEU, P. Questões Razões Práticas: sobre a teoria da ação. Campinas, SP: Papirus, 1996.
__________. A Distinção: crítica social do julgamento. Porto Alegre: Editora Zouk, 2007.
BOURDIEU, Pierre; DELSAUT, Yvette. O costureiro e sua grife: contribuição para uma teoria da magia. In: BOURDIEU, Pierre. A Produção da Crença: contribuição para uma economia dos bens simbólicos. São Paulo: Zouk, 2004. p. 115-190.
BOURDIEU, P.; WACQUANT, L. J. D. Réponses: Pour une anthropologie réflexive. Paris: Éditions du Seuil, 1992.
BROOKE, Iris. Costume in Greek Classic Drama. 1973.
CARDOSO, C. F. Narrativa, Sentido, História. Campinas: Papirus, 1997.
CECCHETTI, P. C.  Decorazione dei costumi nei vasi Attici a figure nere . De Luca Editore. 1971-1972.
JONES, Peter V.(org.). O Mundo de Atenas. Uma introdução à cultura clássica  ateniense. São Paulo: Martins Fontes, 1997.
LESSA, Fábio de Souza. O Feminino em Atenas. Rio de Janeiro: Mauad, 2004.
_____________.; BUSTAMENTE, Regina; THEML, Neyde. Olhares do Corpo. Rio de Janeiro: Mauad, 2003.
SOUZA, Maria Angélica R. As Mãos que “Falam”: Mitos, Tecelagem e Bordados. In: Phoînix Laboratório de História Antiga. Ano 15, v.15, n. 2. Rio de Janeiro: Mauad X, 2007, p. 202-215.

_____________. Tecendo Mensagens numa trama bem urdida: As Mulheres Atenienses. Rio de Janeiro: Universidade Federal do Rio de Janeiro, 2005. (Dissertação de Mestrado)





Casa Canadá: reduto da alta costura no Brasil.

É comum associarmos a alta costura as maisons estrangeiras e pensarmos que esse tipo de moda não tinha grande circulação e força no Brasil até um tempo atrás. Mas o que poucos sabem é que o Brasil já abrigava, ainda que nos principais centros urbanos, casas que se tornariam referência para o desenvolvimento da Moda no Brasil.

Contextualizemos: Rio de Janeiro, década de quarenta/cinqüenta. Temos o aparecimento da televisão, a bossa-nova, o glamour traduzido em reuniões na Confeitaria Colombo, nos vestidos acompanhados de luvas e chapéus. Nesse cenário, despontava a Casa Canadá - epicentro da elite carioca que se abastecia com os luxuosos vestidos confeccionados por mestres da moda estrangeira e  primeira casa nesse estilo no Brasil.

Como tudo começou?

Mena Fiala, descendente de italianos, nasceu em Petrópolis, onde aprendeu com as irmãs Falconi a arte de fazer chapéus. Por volta de 1929, mudou-se para o Rio de Janeiro e conheceu Jacob Feliks, fundador da Casa Canadá, com quem passou a colaborar.

A Casa Canadá funcionou na Rua Gonçalves Dias até 1934. O sucesso gradativo levou à inauguração da sua segunda sede, na Rua Sete de Setembro. Mena e Cândida foram convidadas para dirigir a seção de roupas. Cândida ia cinco vezes por ano a Paris e trazia modelos de estilistas como Balenciaga, Chanel, Dior, Jacques Faith e Schiaparelli, vendidos exclusivamente na Canadá. Era a entrada da alta costura no Brasil. Os vestidos de noiva produzidos pela Casa também eram grande destaque. Feitos de tecidos finos, renda, ricamente bordados com ouro e pedrarias e trabalhado, eram disputados pelas noivas mais ricas da cidade.

Trazendo modelos de fora, as irmãs tentavam entender a montagem das roupas e reproduzir aqui, com base na inspiração dos modelos europeus. As irmãs buscavam, inclusive, adaptar os modelos estrangeiros para o clima e gosto brasileiro. Usavam além dos tecidos importados, os produzidos na Fábrica Bangu. Elas impulsionaram a implantação e o desenvolvimento da indústria do vestuário.

Canadá de Luxe

Como a procura era crescente, a importação complicada e visando atender às clientes, foi aberta, em 1944, a Canadá de Luxe, a primeira grande casa de alta costura do Brasil. As irmãs inovaram realizando o primeiro desfile com manequins vivas, inaugurando a tradição dos desfiles de moda como apresentação de tendências à imprensa e ao público  – por estação. A cada estação, um novo desfile. Muitos desses desfiles eram realizados no Copacabana Palace. Mena e Cândida também foram responsáveis pelo primeiro prêt-à-porter do país. As roupas desfiladas eram facilmente divulgadas ao circularem com suas donas pelos corredores do Palácio do Itamaraty, em embaixadas, Brasília, em encontros políticos realizados em outros países e no Jóquei, principalmente do Rio de Janeiro.

Cronistas como Elsie Lessa, Malu Ouro e Ibrahim Sued e personalidades como Darcy Vargas, Santinha Dutra, Thereza Goulart, Dona Sarah e Juscelino Kubitschek, Eva Monteiro de Carvalho, Dulce Figueiredo e Lourdes Catão eram figuras fixas na Casa. Vânia Pinto (Miss Brasil e artista de cinema nacional) e Adalgisa Colombo (Miss Brasil) eram duas das muitas modelos da Casa Canadá.

A Casa Canadá fechou suas portas em 1967, mas Mena e Cândida continuaram dirigindo desfiles até 1972. No entanto, a Casa Canadá  ficou na história da moda brasileira como uma pioneira em desenvolver no Brasil modelos de luxo e qualidade equivalentes aos parisienses

Em 25 de maio de 1977, quando completavam cinqüenta anos de carreira, realizaram um desfile apresentando sessenta criações, no Hotel Sheraton, em benefício da obra O Sol

A fundadora Mena Fiala em foto de 1987.
Por toda a importância que tiveram na moda brasileira, Mena e Cândida ganharam o título de Beneméritas do Rio de Janeiro, outorgado pela Assembléia Legislativa e o prêmio Multimoda, conferido pela Multifabril. Mena ainda foi eleita Mulher do Ano da Moda, pelo Conselho Nacional de Mulheres do Brasil, o que resultou em seu ingresso na Academia Brasileira de Moda, conferido pelo Instituto Zuzu Angel.

Em 1996, no Rio de Janeiro, foi realizada, no Museu Histórico Nacional, a exposição Mena Fiala – Um Nome da História da Moda, onde o público pôde comprovar o trabalho minucioso de Mena e Cândida e assistir, em vídeo, desfiles da Casa Canadá.

Quinze anos depois, temos uma nova exposição, desta vez sobre a própria Casa Canadá.

A exposição “Casa Canadá” relata um pouco da história da relação da Casa com a Cidade Maravilhosa e a política brasileira. A exposição conta com depoimentos das manequins, fotos da época, revistas, anotações, jóias de Burle Marx usadas em um dos desfiles da Casa, filmes de desfiles e croquis. Pode ser conferido, também, o acervo do fotógrafo Carlos Moskovics, preservado pelo Instituto Moreira Salles – IMS.

A mostra apresenta a criação da Casa Canadá nos anos 40, seu apogeu nos anos 50 até o declínio em meados dos anos 60. A expo começa com ares europeus, apresentando a grande influência da cultura francesa no Brasil. Em seguida, parte para a reprodução de uma passarela igual a da maison, que foi palco dos primeiros desfiles de moda do país. Por meio de vídeos disponíveis em iPods, o fashionista também poderá conhecer as seis principais tops da marca. Vale a pena conferir!



Desfile de 1952.
Desfile da Casa Canadá. (1953)
Primeira Fila -  1954




Exposição “Casa Canadá”
Local: Arte Sesc
Rua Marquês de Abrantes, 99 – Flamengo.
De 10 de janeiro a 30 de janeiro de 2011.
Visitação: de terça-feira a domingo, 12h às 18h
Entrada gratuita


Fica a dica! =)

Louis Vuitton - Primavera 2011

Eu sou apaixonada pelas campanhas da Louis Vuitton! Já disse isso várias vezes e vocês já puderam conferir alguns posts aqui e aqui.

Eis que Marc Jacobs divulga as fotos da campanha Primavera/Verão de 2011, com imagens tão belas quanto o desfile. O tema segue o clima decadente e recheado de elementos orientais. Muito colorido, brilho, sensualidade, segundas intenções e glamour, em bolsas-desejo maravilhosas. O clima das fotos em nada lembra as modelos super comportadinhas e elegantes da campanha de inverno do ano passado, no melhor clima cinquentinha.

Steven Meisel é o responsável pelas fotos. As modelos são Freja Beha Erichsen, Raquel Zimmermann  e a veterana Kristen McMenamy. Confira o ensaio:







Fica a dica! =)

Em Roma, faça como os romanos!

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Anna Dello Russo, a editora da Vogue Japão, seguiu o  princípio, mas em outra cidade italiana: Milão!

Conhecida por seus looks maximalistas (como ela mesma se define!), Anna usa e abusa durante as semanas de moda feminina, fazendo um desfile paralelo ao das passarelas e vestindo looks exatamente como foram mostrados pelas grifes. Já participou de vários editoriais e confessa ser apaixonada por compras e moda.

Por isso, não seria estranho se na semana de moda masculina do inverno 2012, ela aparecesse vestida de... Homem! E foi o que ela fez: Smoking, paletós de abotoamento duplo e gravatas borboleta foram coordenados com sandálias e até uma cartola. Estilosa e versátil é pouco para ela, né?

Anna postou no seu blog os looks que usou. Eu achei um barato! Confira!







Fica a dica! = )

E o Inverno vem aí.... Fashion Rio 2011

Diversos blogs fizeram coberturas completas do Fashion Rio e do Fashion Bussiness. Eu não vou ficar batendo na mesma tecla. Mas deixar passar em brancas nuvens o que vimos nesses eventos é um crime, por isso, vou colocar aqui o que eu vi, li e aposto para nosso inverno carioca! =) 

A temporada carioca de desfiles do inverno 2011 terminou no último sábado (15.01). Segundo Glória Kalil, as novidades da moda para o inverno 2011 não estão nas formas nem nas proporções, mas nas misturas de tecidos e na inversão de pesos das roupas (renda e couro juntos, por exemplo!).

Você não precisa renovar seu guarda roupa inteiro para estar no inverno carioca. Mas alguns itens bem escolhidos podem modernizar seu visual apra enfrentar o frio em alto estilo! 

1. Barras assimétricas em vestidos, saias e paletós

2. Calças: skinny ou cenouras mais curtas. 



3. Saias longas flúidas, com fendas e tecido bem molinhos! 

4. Vestidos (em tecidos nobres, vezes pesados e muito chiques!)


5. Contrastes de tecidos em inversão de pesos 


6. Sobreposições


7. Meias ¾, curtas, polainas de bailarinas

8. Macacões


9. Xadrezes, estampas florais, abstratas e estampas tribais.


10. Pelos e peles (com forte predominância de onça) - Pode ser falsa, hein, gente?


11. Couro, camurça e rendas

Aposte ainda em:

. Sobreposição tom sobre tom: camisas em tons próximos do claro para o escuro podem formar uma combinação bacana!  A Farm é campeã nesse tipo de combinação!



. Para os pés: tivemos uma temporada com sapatos pesados. Botinhas e ankle boots com cadarço, sapatilhas, oxfords e botas estarão em alta.

. Acessórios: Muitos anéis!!!! (oba!) Junte todos: com pedra, sem pedra, de resina, de metal, joia com bijuteria...


. Misture tudo: Experimente o retrô com o hi-tech, o simples com o arrojado, o high e o low

. Make: Bocas escuras: vermelha, vinho e marrom.

Luca Nascimento

 

. Cabelo - Vai arrasar se usar:

* rabo-de-cavalo - Fácil de fazer e bastante versátil. Pode ser mais sequinho e com a raiz bem colada à cabeça, ou baixo e levemente desfiado. 



* Tranças - Depois que Marcela Tedeschi Temer (esposa de Michel Temer) usou na posse, promete ser o it na estação!






* Coque - Pode ser cheio e desfiado, ou delicados feitos a partir de um rabo de cavalo torcido. O estilo banana também pode ser usado.



* Cabelo Solto  -  seco ao natural, mas cheio de truques. Fios desalinhados, despretensiosos e com aspecto natural. O resultado pode ser obtido com pomada e leves amassadas, babyliss e muito fixador ou ainda mousse e difusor.



. Cores: neutros como os bege, camelo, verde musgo, cinza e preto ao lado de cores fortes como os azuis elétricos, vermelhos, verdes, rosas. Tons suaves como o azul acinzentado e o rosa pálido também terão vez. 

É isso gente! Espero que tenham gostado! Ah! E para saber mais vá em http://chic.ig.com.br/

Fica a dica! =)

Moda e Velhice

Em Moda pode-se quase tudo. A diversidade surpreendente de estilos é um convite para a reinvenção. Mas, você já reparou que apesar da Moda possuir um discurso de que é acessível a todos - ela é vendida para poucos?

A lógica da Moda é lançar a cada nova estação modelos novos, releituras de antigos, padronagens e etc. Essa rapidez chega a nos chocar pois usamos uma determinada tendência, muita vezes, menos de 6 meses.

Há quem acredite que a Moda não seja pensada para idosos justamente por isso. Por serem mais velhos, ligarem menos para as coisas, seriam mais resistentes a mudanças tão súbitas de estilo, cores e etc. Eles não veriam tanto sentido em adquirir peças-desejo a cada nova estação. 

Em contrapartida, os jovens (por sua aceleração natural) e os adultos teriam maior paciência e gosto por essa busca. É bem provável que um jovem extremamente ousado em suas vestimentas, opte gradativamente por algo mais "tradicional" com o passar dos anos, mostrando um aparente desinteresse com a Moda e suas facetas e se tornando mais seletivo. E aqueles idosos que não acompanham essa inclinação são muitas vezes vistos como outsiders.

Pensemos: o conformismo, desânimo ou mesmo a resistência a mudanças dos mais velhos em relação as tendências é fruto não do avanço de suas idades (o famoso "Ah... isso não é mais para mim!"). Trata-se, antes de tudo, de um discurso que constrói e legitima os papéis, as ações que se espera dos grupos etários. Espera-se que a terceira idade não tenha mais esse furor pelo mundo fashion pois já viveram muito e ganharam "sabedoria".

Uma mulher de 30, por exemplo, já atingiu a maturidade. Sua vida pessoal e profissional já está mais estável. Nessa idade muitas já estão casadas e são mães. Aqui há uma busca pela elegância e não por modismos. Invés de ousar em decotes, transparências e comprimentos curtos, prefere peças de qualidade e durabilidade, com um bom caimento, em tecido mais nobre. Essa mesma mulher pode até mostrar o colo, os ombros e braços, mas sabe que é melhor deixar a barriga coberta, pois "já não tem mais idade para isso".

Bem diferente de uma menina de 15 ou de 22 anos que experimenta tudo que vê pela frente (e corre grandes ricos de errar), a mulher mais madura já sabe o que lhe cai bem, o que usar ou não. Pensemos, então, na mulher de 40, 50... 80!  Mas percebam que essa pretensa maturidade (e eu não discordo dela, afinal tenho mãe e avó e conheço pessoas de idade que são bons exemplos do que escrevo), na verdade, é apenas reflexo de um discurso que ratifica como cada faixa etária deve enxergar a outra, como devem se comportar - e como devem se vestir.

Por uma observação cotidiana, sabemos (e sentimos!) que o passar dos anos nos dá mais vivência e as experiências nos calejam. A roupagem (sem trocadilhos, rs) que damos a essa sabedoria é que faz com que enxerguemos os idosos como aqueles que colocam em suspenso esse gosto pela mudança rápida e súbita (e muitas vezes desnecessária). É essa leitura que temos desse grupo etário que legitimou esse suposto desinteresse dos mais velhos por Moda.

Essa maturidade não é vendida. A idéia de roupas para esses grupos, embora vejamos nas passarelas muitos modelos usáveis para essas gerações, não é vendável.

As propagandas, os cartazes e desfiles estão abarrotados de modelos extremamente jovens. Elas são maquiadas até a exaustão para parecerem mais maduras, mais velhas, mais jovens, mais auteras, mais... mais... Mas são jovens! Por que não colocar nas passarelas, campanhas e etc, modelos de meia-idade? Homens com 60 anos em campanhas da Louis Vuitton ficaram absolutamente perfeitos! ( isso abre uma discussão sobre público alvo, mas deixemos isso pra lá). Agora, fora esses exemplos muito específicos, será que a idade só fica bem em comerciais de cremes rejuvenecedores?

Sean Connery para Louis Vuitton

Francis Ford Coppola e sua filha, Sofia Coppola.

Guitarrista Keith Richards, do grupo Rolling Stones


A Fotógrafa Annie Leibovitz e o Bailarino Mikhail Baryshnikov

Sally Ride (a primeira mulher americana a viajar até ao espaço), Buzz Aldrin (o segundo homem a pisar a Lua), e Jim Lovell (comandante do Apollo 13).


Mikhail Gorbachev, como garoto-propaganda da Louis Vuitton em 2007, rendido (vendido?) ao capitalismo?


A velhice não é trabalhada porque ela é feia. A velhice não vende - incomoda. Ela está associada a fraqueza, a dependência, a doença, a morte. É um discurso cruel? Sim. Mas ele está lá. Mascarado pelo discurso que tenta reforçar justamente uma idéia contrária: O velho lema de que "estamos na melhor idade." 

Relaciona-se a isso a idéia de que tudo é permitido: pequenos deslizes alimentares, sair ridículo pela rua (em termos de roupa), perder os modos... Aprecia-se idosos que fazem esportes não porque estão cuidando de sua saúde ou por gosto pessoal, mas porque aparentam ter se recusado a envelhecer.

Por que a velhice não pode ser trabalhada pelas passarelas? Se homens e mulheres ganham sabedoria com o passar dos anos, tornam-se mais seletivos em relação a peças, modelagens, cores e etc... Por que não usar isso como forma de inclusão? Por que relegar essas pessoas a escolher, dentro das coleções, o que lhes cai bem, mas sempre na obscuridade? No silêncio das araras das lojas? Por que não mostrar que a velhice tem a sua própria beleza e que isso pode ser muito rentável, sim.

A indústria fashion ainda não investe o necessário nesse setor, mas esse cenário tende a mudar. Um estudo realizado pela Itaucard sobre Cartões de Crédito na terceira idade mostra que 10% do valor das compras efetuadas com cartão no país são feitas por esse público, um faturamento de R$ 8,4 bilhões, e que vem crescendo a cada dia.

Alguns eventos ocorrem aqui no Brasil, buscando a valorização da idade na Moda (como esse aqui). É um  movimento parecido com a tentativa de inclusão a Moda Plus-Size, onde são realizados desfiles, workshops e afins para esses públicos específicos. Acredito que o que deva ser feito não é uma separação dessas esferas, mas a integração delas. 
Umit Benan Outono/Inverno 2011

Se a Moda possui o discurso de que é para todos, não há o menor sentido em uma separação. As campanhas, os desfiles e eventos devem ser direacionados a todos.

Pensemos nisso.

Quer ler mais? Veja isso.

Fica a dica! =)

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